
A sociedade exige cada vez mais de nós, em todo e qualquer lado (cada vez mais e melhor). Perante esta exigência, este stress do dia-a-dia, existem locais onde vamos para carregar baterias. Locais com que nos identificamos, que nos transmitem calma, que nos relaxam e que nos fazem sentir livres de preocupações.
Tal como certas pessoas que estão sempre ali para o que der e vier, que nos apoiam incondicionalmente, que tornam a vida muito mais fácil, não posso deixar de referir a música, que, sempre presente, nos faz sonhar e acreditar que tudo é possível.
A discussão em torno do aborto está, de novo, em voga. Pessoalmente, duvido que a breve trecho, se registem quaisquer alterações significativas. Entretanto, todo e qualquer barulho, leia-se debate, contribui para clarificar, inovar e renovar ideias. Mas não é do aborto que quero falar, isso é só a ponta da meada.
Gostava de chamar a atenção para as questões levantadas pela Visão e para as afirmações de Daniel Sampaio, na revista XIS, suplemento do Público.
O psiquiatra mostra-se preocupado com a quase ausente educação sexual escolar, defendendo «uma disciplina obrigatória de Educação para a Saúde do 7º ao 12º ano, que contemplasse questões essenciais da saúde dos jovens... e na qual deveria ser incluída uma forte componente de educação para a sexualidade». A questão da interrupção voluntária da gravidez é discutida com leviandade, comenta Daniel Sampaio, esquecendo que o problema deve ser tratado antes, através de um plano de Educação para a Saúde coerente.
Paralelamente, a revista VISÃO descreve a realidade da educação sexual no nosso país:
• Portugal é o país da UE com maior número de jovens infectados pelo HIV e o segundo com maior taxa de mães adolescentes;
• Muitas escolas e professores desconhecem a obrigação da inclusão da Educação Sexual nos planos curriculares.
Num aspecto há consenso: todos concordam que é necessário promover a educação sexual e o planeamento familiar. Até porque os indícios demonstram uma população jovem ignorante em termos de sexualidade e de doenças sexualmente transmissíveis.
A minha experiência como enfermeira diz-me também que muitas pessoas aparentemente elucidadas, têm comportamentos de risco, contaminando e sendo contaminadas pelo HIV. A sexualidade continua envolta em ignorância e silêncio. Os educadores – pais e professores, essencialmente – desprezam muitas vezes a sua responsabilidade. Há muito a fazer e, sobretudo, a explicar. É preciso dar início a uma informação clara sobre as questões da sexualidade, como diz Daniel Sampaio, que «não se limite ao dia da SIDA ou a uma campanha de férias nas praias».
Os enfermeiros do Hospital S. Bernardo (SA), Setúbal, denunciam as péssimas condições de trabalho, a ameaça da integridade física, a falta de equipamentos e de um sistema de triagem, enfim, a inexistência de «condições mínimas para exercer a enfermagem». Por isso, anunciam «não poder continuar a prestar cuidados a estes doentes a partir de 1 de Março de 2004».
A noção de que os enfermeiros nada têm a dizer sobre os cuidados prestados à população, caiu ou está por pouco. Mostrar que os enfermeiros também têm a responsabilidade de fornecer informação sobre o que se passa nos serviços, foi o primeiro objectivo conseguido com esta notícia.
O que me surpreende é que não lhe sucedam outras iniciativas do género. Decerto os enfermeiros do serviço de urgência do Hospital S. Bernardo não são os únicos a confrontar-se com escassos recursos humanos e materiais, com condições de trabalho que ameaçam a integridade dos doentes e profissionais, enquanto os gestores se passeiam em viaturas topo de gama.
Estávamos mesmo a precisar dum S. Bernardo para nos salvar...
Qual é a tarde por achar
Em que teremos todos razão
E respiraremos o bom ar
Da alameda sendo verão,
Ou, sendo inverno, baste 'star
Ao pé do sossego ou do fogão?
Qual é a tarde por voltar?
Essa tarde houve, e agora não.
Qual é a mão cariciosa
Que há-de ser enfermeira minha —
Sem doenças minha vida ousa —
Oh, essa mão é morta e osso...
Só a lembrança me acarinha
O coração com que não posso.
Fernando Pessoa
Poemas Inéditos
Enfrentar situações de conflito é algo muito comum entre enfermeiros cujo actividade se baseia, fundamentalmente, no trabalho de equipa. É possível compreender que trabalhar em equipa é tanto mais frutuoso, quanto melhor for o funcionamento, a coesão e o espírito do grupo de trabalho.O conflito surge como elemento perturbador da coesão, assume contornos diversos, de maior ou menor gravidade, e pode afectar os membros da equipa, os departamentos e a própria organização. Para solucionar um conflito ou clarificar um problema existem mecanismos específicos para o fazer. Para isso, frequentamos cursos de formação que visam desenvolver essas competências.
Essa tem sido a opção de muitas empresas, organismos e funcionários. Mas, apesar de todo o interesse e de todos os esforços, o conflito mantém-se insidiosamente sem resolução ou aparentemente inerte. O que falha então?
Julgo que a responsabilidade cabe à deficiente comunicação, à acomodação, à falta de empatia, à incapacidade de negociação e de debate. Que outro sentido faz um chefe ser autocrático em vez de promover a partilha de decisões? Que sentido faz um profissional procurar atingir objectivos pessoais através duma política de simpatias? Ou, que cultura organizacional é esta que descura a comunicação com os elementos que a constituem? Vale tudo?!
A coesão duma equipa ou de um grupo, é o resultado de um conjunto de forças que fazem com que os membros permaneçam na equipa, que os incita a cooperar e a partilhar, aliados à confiança mútua, motivação e identidade de objectivos. Encontrar soluções para os problemas é fácil, mas se isso implicar estratégias para um bom clima de trabalho e um bom relacionamento interpessoal...oh! que tarefa hercúlea...

Não sou exemplo para ninguém, e os que me conhecem sabem disso, mas faço uma tentativa para consumir os produtos mais adequados aos meus objectivos e a escolha, invariavelmente, incide nos bens de consumo de rápida confecção. Naturalmente, a escolha de um estilo de vida saudável fica para segundo plano.
Vai demorar muito para aceitar a diversidade das formas de estar e de ser que não se coadunam com os requisitos esquálidos da moda. Até lá vamos submergindo sob o peso de produtos sintetizados, produzidos em larga escala, em nome dessa desejada saúde...
Há uns dias foram efectuados o lançamento e conferência sobre o livro "Do silêncio à voz", no Auditório da Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara em Lisboa.
Um dia destes cruzei-me com a Dra. da Graça e com o Dr. Batota numa das suas visitas. Esta equipa é constituída por 6 palhaços profissionais: Dra. da Graça, Dra. Kika Larica, Dr. P.P.P. Pipoca, Chôtôra Ninonete, Dr. Batota e Dr. Felix Férias.

A Operação Nariz Vermelho visita periodicamente crianças hospitalizadas desde há quase 2 anos. Foi criada a partir dum projecto baseado na Big Apple Clown Care Unit (Nova Iorque) e nos Palhaços da Alegria (Brasil). O principal objectivo da Operação Nariz Vermelho é contribuir para o bem-estar das crianças hospitalizadas, dos seus familiares e, também, dos profissionais de saúde. Esta equipa dá consultas todas as semanas, em 4 hospitais de Lisboa, e pretende alargar o programa de saúde às crianças de Coimbra e Porto.
Pretendem estimular as emoções positivas, animar o aparelho emocional e reforçar o brilho dum sorriso. Tem como efeitos secundários, a alegria, o bem-estar e a esperança.
"Rir é melhor do que chorar. Insistir é melhor do que desistir. Amar é melhor que odiar."
Susana - Hosp. D. Estefânia.
Creio que todos temos gestos como este que podemos recordar. Sinto no entanto, que pelos mais diversos motivos, nem todos os tenhamos pelo menos uma vez por turno. É pena, pois que é algo que está ao nosso alcance e que nos enaltece.
Ao reafirmar a importância das emoções e dos pensamentos positivos para a saúde, a ciência assinala que brincar, rir, ter atitudes optimistas, é absolutamente desejável. Para além de melhorar as interacções sociais e a comunicação, os estudos científicos comprovam a libertação de substâncias benéficas para o organismo.
A medicina considera que o humor e o riso são elementos capazes de promover o bem-estar e a saúde que, para além de ajudar na prevenção e no tratamento de doenças, realmente confirmam que "rir é o melhor remédio".
Este estudo recente, vem agora provar que quem canta, para além de melhorar o seu estado de ânimo, reforça o sistema imunitário.
Resta saber se estas conclusões se aplicam a quem desafina. Espero bem que sim, porque, se até aqui deixava as cantorias para os profissionais, agora vou passar a reforçar o meu sistema imunitário.
O SNS que conhecemos, apesar de todos os constrangimentos, permitiu colocar Portugal no 12º lugar da lista de classificação da OMS. No futuro, de tendencionalmente gratuito, o SNS passará a tendencionalmente pago.


Assim, para todos os que desconhecem o futuro do SNS, recomendo o visionamento de «Jonh Q.» recentemente transmitido na RTP, e também de «The Rainmaker».
Revejam ainda, estes sinais e sintomas da reestruturação do SNS.
Numa sociedade em constante mudança, a enfermagem deve estar preparada para aceitar novos métodos, novos desafios, que beneficiem a qualidade dos cuidados de enfermagem.
O toque é a mais básica das respostas humanas. O toque é não-invasivo, não-intrusivo e proporciona paz, tranquilidade e confiança. O toque é um método complementar de outros tratamentos. Recorre tanto aos aspectos físicos como aos aspectos psico-emocionais do doente e baseia-se no princípio do tratamento do doente como um todo. O toque é uma intervenção de enfermagem que cria harmonia e que contribui para o alívio da dor, do stress e da ansiedade. 
A prática de enfermagem baseia-se numa relação de empatia e dedicação, o que contribui para melhorar a qualidade de vida dos doentes. O toque estimula o auto-conhecimento e a sensibilidade de forma a que se possa cuidar do doente como um todo. O toque dá uma nova dimensão ao cuidar em enfermagem.