março 14, 2004
estágios pagos
A carência de enfermeiros impulsionou a abertura de várias escolas privadas de enfermagem por todo o país, sendo que este fenómeno carece de uma ampla discussão em torno da qualidade dos profissionais formados nestas instituições particulares. O que de momento importa é que - tal como o
DN refere - a licenciatura de enfermagem tem que conter metade da carga horária em ensino prático, o que, como é fácil concluir, dificulta muito a escolha de campos de estágio adequados às necessidades dos alunos.
O que é deveras preocupante, é que já há hospitais SA a receber alunos de enfermagem para estágios mediante o pagamento de uma percentagem da propina. É isso mesmo, os hospitais SA são unidades públicas com gestão empresarial e, como tal, «são incentivados a encontrar formas alternativas de financiamento». Agora vejamos: as escolas privadas contornam o problema dos estágios canalizando parte das propinas para os hospitais (SA) através de protocolos negociados com as administrações; as escolas públicas poderão ser preteridas na escolha de campos de estágio, por não proporcionarem fontes de financiamento alternativo.
Se há quem afirme que os alunos do ensino público estarão sempre em primeiro lugar, outros encontrarão neste processo uma fonte apetecível de financiamento.
Publicado por Cris | 20:37
Olá Fernanda. Nas escola de enfermagem públicas pagam-se propinas como em qualquer estabelecimento de ensino superior, as escolas de enfermagem privadas pagam-se ponto final. As escolas superiores de enfermagem têm autonomia administrativa e financeira e são reguladas pelo Ministério da Educação. Os hospitais são entidades reguladas pelo Ministério da Saúde. A lei prevê (obriga) protocolos entre escolas e hospitais de forma a que os alunos de enfermagem possam beneficiar das condições de aprendizagem que os hospitais e outras instituições de saúde proporcionam. O problema é que há hospitais SA que recebem uma parte das propinas dos alunos das privadas para garantir esses estágios. Dado que os hospitais SA têm que arranjar outras fontes de rendimento, vê-se logo que o dinheirinho dos alunos das privadas cai do céu. Neste moldes, a discriminação acontece...beijinhos.
Mas nas escolas públicas de enfermagem não se pagam propinas?
De qualquer das maneiras são hospitais públicos. A lei permite a discriminação? Isto é muito sério!
São de facto de qualidade questionável. Sou efectivamente contra os estabelecimentos privados. Neste momento estão a trazer muitos problemas à enfermagem em particular, tal como a possibilidade do forte desemprego.. ou a competência duvidosa dos profissionais aí formados!
Tudo bem. A minha experiência como pessoa permite-me uma visão ampla de como pessoas podem interpretar injustamente o que lhes é dito. A ideia que a qualidade da formação de qualquer profissional não possa ser alvo de discussão é, quanto a mim, uma barbaridade.
A abertura de qualquer curso de enfermagem – privado ou público – carece duma avaliação e reflexão prévia, sob pena de existirem escolas com planos de estudos «desajustados e que não cumprem os objectivos definidos pela Ordem dos Enfermeiros», como tão bem esclarece o colega do enfermaticando. A questão reside na forma como cursos de enfermagem – privados ou públicos – são analisados pelo Ministério da Ciência e do Ensino Supeior e não é preocupação exclusiva da Ordem dos Enfermeiros, nem da enfermagem. Afinal, o que se pretende é, como diz o colega do enfermaticando, «qualidade do seu ensino, na excelência dos seus alunos e no reconhecimento no meio», e deverá ser essa a primordial finalidade das entidades que promulgam e regulamentam a licenciatura em enfermagem.
Relembro ainda, que o post em questão chama a atenção para a realidade dos campos de estágio que, de acordo com a bastonária da OE, está muito próxima da saturação devido a uma falta de planeamento na abertura dos cursos.
discordo com "a qualidade questionável dos profissionais formados no particular"
o porquê está no enfermaticando!